quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Um sonho de realidade

Esta noite recebi uma visita muito agradável de uma pessoa que já foi muito especial para mim.
Ela me visitou em um sonho, e não poderia ter me feito mais bem.
Quero ter esta conversa com ela, então nos deem um pouco de privacidade.

Sei que as circunstâncias atuais impedem, e muito, as coisas de voltarem a ser como uma vez quase foram.
Espero que me visite outras vezes, infelizmente não pude matar a saudade de você com este rápido encontro.
Eu não sei se você ainda acompanha as postagens deste blog, eu espero que sim, todavia não vou lhe denunciar aqui.
Você provavelmente vai se reconhecer assim que eu contar o meu sonho.

Estava quente, como as noites de verão costumam ser, eu me dou bem com o calor e poderia ter sido mais uma noite comum, ou talvez fosse mais outra noite maluca cheia de confusões onde meu ser astral costuma se enfiar.
Mas não, você resolveu aparecer, ou melhor dizendo, a encontrei, como que por um acidente, um esbarrão desastrado, daqueles que fazem as pessoas se apaixonar.

Me pus em posição de lótus, deitado na cama, com as costas apoiadas no colchão, fechei os olhos e não demorou a meu espirito que alçasse voo rumo ao infinito desconhecido.
Atravessei o telhado rumo as estrelas como que em uma queda livre, de repente estou em um lugar desconhecido, uma rua de calçamento em uma cidade que nunca tinha visto, e nem mesmo sabia em que tempo estava situada.
Talvez o ano de 1996.
Aprecio o lugar, caminho calmamente, como costumo fazer em minhas viagens atrais.
Então fiquei surpreso com o que aconteceu, você apareceu.
Caminhava pela rua tão calmamente e despreocupadamente quanto eu. Será que te encontrei viajando por la também?

Você gosta de branco, exatamente a cor que vestia.
Aquela camisa de manga comprida e botões brancos.
Linda estava!
Um pouco diferente de quando costumava lhe ver. Uma aparência mais madura e sábia em seu rosto.
Ficou contente em me ver, talvez não mais do que eu em ver você.
Te abracei e durante um tempo nos dois conversamos e apreciamos a companhia um do outro.

Decidimos entrar em um estabelecimento para comer algo, era um bar.
Em 1996 não havia outros tipos de lugares em uma cidade pequena para sentar-se a vontade, comer algo e conversar.
Entrando no bar tinha um grupo de rapazes, eu sabia que os conhecia, embora não possa ligar eles a nenhuma pessoa que já tenha visto nesta vida.
Tal e qual revelador um sonho deve ser.
Sonhos são para muitos circunstancias onde coisas sem pé nem cabeça podem acontecer, a ciência explica isso dizendo que certas áreas de nossos cérebros responsáveis pela lógica são desligadas durante o sono, para reparo apenas.
Sendo assim, eu posso encontrar pessoas que eu sinto que conheço mas não conheço, talvez sonhos nos tragam lembranças de vidas passadas ou de qualquer outra coisa.
Ou talvez aconteçam só maluquices mesmo.

Cumprimentei os indivíduos e nos sentamos, eu e você, em uma mesa próxima a deles. O bar era pequeno, tudo meio junto e estava meio lotado.

Você me contou algo que não consigo me lembrar agora, era importante, sobre algo que você esta vivendo, lhe aconselhei e conversamos um tempo.

Os rapazes ficaram de olho em você, tal e qual como era quando a gente ainda tinha algum tipo de interação.

Os indivíduos olhavam com aquele desprezo sobre mim, eu sentia, como que quisessem dizer este pouco lixo andando com uma moça tão bela, tal e qual como era quando a gente ainda tinha algum tipo de interação.

Sempre senti insegurança sobre você, parecia que algum tipo "boa" pinta apareceria segurando um litro de alguma bebida cara e dirigindo um carrão e você decidiria aproveitar a vida e a juventude ao lado dele.
Não foi bem assim que acabou acontecendo, mas quero lhe dizer que eu não te julgo, eu sei da verdade e sei quem você é. Sei de uma maneira espiritual que era verdadeira comigo. E sei onde e como errei.

Ou talvez eu seja mesmo um babaca e você não seja nada disso que eu já imaginei.
Admito possibilidades.

Exatamente o tipo de babaca que jurei para mim mesmo que nunca seria, não o "babaca" da frase acima.

Mas os babacas da mesa ao lado.

Não é mérito meu falar sobre eles agora.

Senti uma insegurança tremenda e levantei como uma garotinha assustada da mesa que estávamos.
Tal qual sempre me comportei ao seu lado.
O menininho que perdeu a mãe no shopping, e desesperado estava por um abraço confortador.
Talvez sejamos os dois né. Hehehehe.

Disse a você que iria ao banheiro e não demorava a voltar.
Fui la, e fiquei por um bom tempo, esperando o medo passar e tomar um pingo de coragem para estar ao seu lado novamente.
É um segredo que muitos homens não querem contar, mas certas mulheres quando tocam em lugares especiais nos deixam aterrorizados.
Pelo menos eu fico.
Joguei uns bons punhados de água em meu rosto enquanto tentava arrumar o cabelo e ser tão bem apresentável como aqueles outros gostosões boas pintas.

Os da mesa ao lado.

Olhei profundamente no espelho, respirei fundo e resolvi voltar a mesa junto de você.

Saio do banheiro e dobro pelo corredor, me deparo com uma mesa vazia.
Você tinha ido embora.

Meu coração pedala forte quando vejo a mesa do lado também vazia.
Os babacas não estavam lá, e o único pensamento que me vinha a cabeça era "ela preferiu sair com eles".
Por um segundo mergulhei na mais profunda amargura que um homem apaixonado pode experimentar.
E olha que era só um sonho.

Fico de pé ao lado da mesa que estávamos, entre a nossa mesa e a mesa dos babacas.

Sou surpreendido por uma velha meio bêbada.
Ruiva, gorda, usando um vestido florido.
Não aparentava ter mais que 50 anos.
Aliás aparentava ter exatamente isso.

_ Então você se danou babaca, bem feito! Hahahahaha. - Disse ela se esbaldando de rir como se tivesse lavado a alma com o que acabara de ter visto.

Não posso ter outra reação, minha cabeça fica tão baixa que só posso ver as tábuas do chão. E não tenho forças para a erguer.

Desabo.

Sento na mesa e não consigo pensar em nada.

A mulher gorda, que estava na terceira mesa a partir da porta, se levanta em vem ate mim.
Pega uma cadeira e senta-se ao meu lado.
Olho para ela com toda minha tristeza e a pergunto:

_ O que foi que aconteceu?

A mulher se sente tocada, por um instante ela cai na real e nota que eu não sou mais um babaca.
Eu realmente nutria um sentimento sincero por aquela garota percebeu ela.

_ Olha me desculpa, pelo jeito você não mereceu. - Então ela se desculpou comigo e começou a contar.

_ Os rapazes da mesa ao lado ofereceram bebida a ela, ela recusou. Então eles insistiram em conversar com ela, chamavam para ir dar uma volta, lhe convidavam para festas. Ela novamente recusava, ai eles começaram um papo de que ela deveria sair com homens de verdade. Então ela disse "Vocês não são homens de verdade! Babacas!", dai ela se levantou muito brava e foi embora.
_ E os caras?
_ Eles ficaram com cara de taxo e foram embora logo em seguida, deviam ter ficado envergonhados perante as outras pessoas no bar.

Neste momento voltei a mim e pude recordar que tipo de mulher você era.
Se impressionava com poemas e não com bebidas caras.
Se apaixonava por um abraço sincero e não carros de luxo.

Chorrei em meu sonho por ter lhe perdido. Agradeci por um dia ter te conhecido.
La na mesa de bar, em companhia apenas de uma mulher que nem sei se existe.

De repente meu celular apita, recebo uma mensagem:
"Obrigado por ter deixado meu dia melhor!"

Acordei então.
Com um sentimento gostoso de quem reencontrou alguém que amava.

Não sei se a gente se apaixona pela imagem que tomamos da pessoa em nossas mentes ou pelo sonho que vivemos na vida real ao lado dela, mas gostaria de lhe dizer:
_ Obrigado por um dia ter deixado a minha vida melhor.


Por: Cristian Kelvin Boggio, quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

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